quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dia Mundial do Alzheimer

Hoje quando fechei o hotmail vi que é o dia Mudial do Alzheimer então resolvi falar um pouco da minha experiência com essa doença.

Em maio de 2002 o meu avô materno faleceu, ele não estava doente e era muito ativo, minha avó tinha medo de ficar sozinha então cada noite um filho ou neto dormia com ela. Com o passar dos meses essa situação foi ficando incomoda para todos.

No início de 2003 resolvi me mudar para a casa dela de mala e cuia, assim durante a semana eu ficava com ela e nos finais de semana ela ia para casa dos filhos.

Sempre fui taxada de geniosa, aquela que fala na cara, que não mede palavras, muitos duvidaram que conseguiriamos viver por muito tempo juntas.

Uns 3 meses depois da minha mudança falei para a minha mãe que a vó provavelmente estava com Alzheimer, o resultado foi muita briga e a "ótima" idéia de eu sair da casa dela pois já estava dando tudo errado. Um tempo depois ela foi ao geriatra e comentaram o que eu tinha falado e a resposta do médico foi que estava tudo certo com ela que era da idade (74 anos).

Com o passar do tempo as filhas começaram a não gostar de certas atitudes do médico e trocaram, pedi que falassem sobre a minha desconfiança (que nessa altura já estava bem maior), o médico fez alguns testes e disse que estava tudo bem, que ela demorava um pouco para terminar as atividades mas que fazia tudo certo.

Passaram-se uns 6 meses e as filhas também começaram a desconfiar de certas atitudes dela, foram no mesmo geriatra e ele encaminhou para uma psicóloga que não constatou nada de diferente, mais tarde ela foi encaminhada para uma psiquiatra que após umas 3 consultas me chamou para conversar e depois chamou as filhas. O diagnóstico da profissional foi que nós é que precisavamos de acompanhamento pois a vó estava muito bem.

As palavras da psciquiatra foi a gota d'agua que eu tanto queria para que alguma atitude fosse tomada e elas foram atrás de um novo geriatra e na primeira consulta já deu medicação e as orientações.

Não julgo os profissionais que não encontraram o "problema" como sendo péssimos médicos, para mim o Alzheimer precisa ser descoberto pela família ou pelas pessoas que convivem com o idoso, só eles serão capazes de diagnosticar essa doença que é silenciosa, não causa dor (dor só em quem está próximo mas não no doente).

Minha vó fica irritada com muito barulho então ela não participa das festas da família, preferimos fazer visitas em pequenos grupos ou quando o encontro é bem íntimo (só filhos, genros/noras e netos). Muitas vezes não nos reconhece, na última vez que a vi foi no dia 07 desse mês e ela me chamou pelo nome, nossa a alegria foi enorme e agora escrevo com os olhos marejados.

Quero aproveitar muito os momentos que ainda tenho com ela e espero que ela aguente firme para conhecer os bisnetos.

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